Não há tempo ruim capaz de arrefecer o ânimo dos comerciantes no Litoral do Paraná. E a prova disso é que apesar dos dias com chuva, que tanto castigaram as praias do Paraná e espantaram os turistas na última temporada, a região espera registrar na temporada 2018-2019 o melhor resultado dos últimos cinco anos (quando começou a se agravar a crise econômica no país) em termos de faturamento e de movimento.

Apenas em Matinhos, por exemplo, a Associação Comercial Empresarial de Matinhos (Acima) estima um crescimento de 20 a 30% na média entre todos os segmentos da economia local, embora alguns setores, como o mercado imobiliário e empreendimentos gastronômicos de forma ampla, tenham conseguido resultados ainda mais expressivos.

De acordo com Adriano Menine, vice-presidente da Acima, o número positivo é reflexo de uma série de fatores. O primeiro deles é o fato de esta ser uma temporada mais longa do que a anterior: enquanto a temporada 2017-2018 durou apenas 59 dias, iniciando em 21 de dezembro de 2017 e terminando em 18 de fevereiro de 2018, a temporada 2018-2019 durará 80 dias, tendo sido inaugurada em 21 de dezembro e vindo a se encerrar apenas em 10 de março deste ano (uma diferença de 35,6%).
Para além dessa questão de calendário, entretanto, há também aspectos climáticos que devem ser considerados, ainda segundo Menine. O calor é sempre um deles. Mas até mais do que os dias quentes, pesa o fato de que as chuvas, tão comuns no mês de janeiro, estejam ocorrendo mais frequentemente no período da noite, depois que a maioria dos veranistas já curtiu o dia na praia.

“A diferença de janeiro deste ano para janeiro do ano passado é que as chuvas, na maior parte dos dias, estão ocorrendo durante o período da noite. Então o veranista aproveita a praia durante o dia e, em vez de esvaziar (por conta da chuva), a cidade permanece cheia. Já a temporada passada foi curta e chuvosa, com chuva todo o dia. Aí afasta o veranista”, comenta o executivo.

A se manter a situação climática, a expectativa é que o Litoral paranaense finalmente volte a desfrutar de uma temporada de lucros, após anos lutando para se manter em meio à crise econômica. 
“A temporada desse ano está sendo comparável com uma temporada de cinco anos atrás, antes da crise econômica”, comenta Menine, apontando ainda que a previsão é de praia cheia até meados de março. “Expectativa é positiva. Já tínhamos percebido esse aumento de população sazonal antes mesmo das Festas (Natal e Réveillon) e depois está se mantendo, com uma população bem significativa. A previsão é que continue assim até o Carnaval.”


Edição 2017/2018 foi uma das piores da história
O bom resultado da temporada de verão 2018/2019 contrasta com o cenário que se apresentava há cerca de um ano. Em 18 de fevereiro do ano passado chegava ao fim a temporada de verão, e a Associação de Hotéis, Pousadas, Restaurantes, Bares, Casas Noturnas e Similares do Litoral Paranaense (Assindilitoral) apontava aquele verão como um dos piores das últimas décadas.

“Foi tudo muito bom até o dia 7 de janeiro, com movimento 20% superior ao registrado na temporada anterior. Depois, porém, foram mais de 24 dias de chuva, inclusive com ocorrências de trovoadas fortes e vendaval no final da tarde. Tivemos uma das piores temporadas dos últimos 50 anos porque o tempo atrapalhou muito. Não adianta ter sete dias bons e 24 dias ruins”, disse na ocasião Carlos Dalberto Freire, presidente da Assindilitoral.
Ações
E neste ano, algumas ações ainda devem ajudar a atrais o veranista até o Carnaval. O governo do Estado já avisou que vai estender suas ações de lazer até o fim da Operação Verão, com toda a estrutura de lazer nas praias.


Se por um lado uns ganham, por outro, alguns perdem
Se uns ganham, outros perdem. Enquanto o Litoral paranaense comemora os dias de calor (apesar das chuvas), no interior do Paraná os dias tem sido marcados por altas temperaturas e clima seco, o que acabou por frustrar a expectativa com a safra paranaense de grãs de verão 2018/2019. 

Inicialmente, o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, estimava uma produção de 22,5 milhões de toneladas. A projeção foi revisada na última quinta-feira (24) para 20,4 milhões de toneladas de grãos, sendo as lavouras mais afetadas a de soja, seguida do feijão e milho da primeira safra.
O secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, lamentou o resultado provocado pelo clima adverso, que interrompeu uma sequência de sete anos de boas safras no Paraná. 

Ainda assim, comentou que a produção ainda é expressiva, ainda mais diante “de um clima tão hostil”, e apontou que as perdas poderão ser compensadas pela produção em áreas onde ocorreram plantios tardios de soja e que não foram tão afetadas.


Atividades recreativas e educação ambiental
A Sanepar levou para praias paranaenses mais uma forma de promover a educação ambiental. Uma equipe de recreação reúne famílias e diverte crianças com mais de 10 brincadeiras e jogos educativos. O objetivo é conscientizar sobre a importância de proteger a fauna marinha, de não poluir as praias e de fazer uso adequado da água potável. Nos primeiros 30 dias da Operação Verão, cerca de 18 mil pessoas participaram das atividades de recreação.

Tainá Reis Serafim, recreadora do projeto, explica que todas as atividades lúdicas chamam a atenção para a conservação ambiental e o uso consciente da água. No basquete com balde, a bola simboliza uma gota de água que deve ser preservada. “Para cada grupo fazemos uma atividade diferente”, diz. Depois das brincadeiras, os veranistas podem escolher entre dois brindes: uma bola ou uma garrafinha para água.

A equipe de recreação da Sanepar tem atividades programadas em pontos da Praia Mansa, em frente ao Sesc, ao D’Vicz e em frente ao edifício Pipeline. Pela manhã, as ações têm início às 10 horas e à tarde a partir das 16 horas. A barraca de recreação fica sempre anexa às duchas do Projeto Chuá, duchas ecológicas à disposição dos veranistas. 
Além disso, a companhia desenvolve projeto Praia acessível, com cadeiras anfíbias que possibilitam que pessoas com dificuldade de mobilidade se banhem no mar com segurança, e faz a coleta de lixo e higienização na areia das praias.


Número de mortes por afogamento chama a atenção
Se para o comércio a temporada é considerada muito boa, o mesmo não se pode dizer com relação aos casos de afogamento. Desde o início da temporada, no dia 21 de dezembro de 2018, já foram 13 casos de óbitos por afogamento no mar, rio e psicinas no Litoral do Paraná, número que já superou o total de ocorrências em toda a Operação Verão passada, quando foram seis casos.
O último caso aconteceu neste final de semana, em Guaratuba. Um jovem de 19 anos entrou no mar no Balneário Eliane e desapareceu no final da tarde de sábado. Seu corpo só foi encontrado na manhã do dia seguinte, três quilômetros distante de onde havia entrado.

Segundo os bombeiros a maioria dos casos de afogamento e morte ocorreram em horários ou locais sem a presença de salva-vidas. Por isso a orientação é que o banhista jamais entre na água em locais desprotegidos.