Postado 18/12/2015 por André Reu em Noticias
 
 

Verão será quente e chuvoso com temporais, afirma Simepar



O verão começa oficialmente à 1h48 desta terça-feira 22 de dezembro e vai até a 1h30 do dia 20 de março de 2016. Segundo a previsão climática feita pelo Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná), a estação tende a ser quente, chuvosa e marcada por temporais devido à influência de El Niño, que vem forte desde a primavera. Os prognósticos demonstram que esse fenômeno permanecerá ativo até o outono.
“A tendência do comportamento da atmosfera indica que neste verão as temperaturas serão bastante elevadas e as chuvas ficarão acima da média, devendo ocorrer temporais com frequência em todas as regiões paranaenses”, informa o meteorologista Cezar Duquia. Segundo ele, essa instabilidade no ambiente atmosférico que combina temperaturas altas e chuvas favorece a formação e o desenvolvimento de eventos severos, como tempestades e temporais. “Caso as chuvas venham a coincidir com o período de maior aquecimento, é natural que as médias das temperaturas máximas locais diminuam”, explica Duquia.
Durante a primavera, a temperatura da superfície do mar ficou bem acima da média climatológica, ultrapassando 29 graus Celsius. Em 2015 as temperaturas médias extrapolaram a tendência em todas as regiões do Paraná. Até o momento, o ano mais quente no Estado foi 2002, com temperatura média variando de 18,4ºC nas áreas mais frias do Sul a 22,7ºC no Oeste. A máxima absoluta foi registrada no Oeste: 40,1ºC.
O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe) divulgou previsão de chuvas intensas no Sul do Brasil neste verão. Os valores devem ficar acima da média em 50%, na média em 30% e abaixo da média em apenas 20% da região.

Impactos na agricultura
“As perspectivas são de excelentes safras em todo o Paraná”, afirma o pesquisador de agrometeorologia Paulo Caramori. As chuvas frequentes podem causar algumas dificuldades no período de colheita, principalmente nas operações mecanizadas, como a aplicação de defensivos agrícolas. “Os agricultores devem estar atentos às previsões e fazer bom aproveitamento dos períodos de estiagem para executar as operações em suas propriedades”, recomenda o pesquisador.
“Os cuidados com a manutenção dos terraços devem ser redobrados devido às chuvas intensas e volumosas previstas para este verão”, alerta Caramori. Segundo ele, a umidade e as altas temperaturas favorecem a proliferação de pragas, doenças e ervas invasoras. Já para as lavouras perenes e pastagens, a situação é excepcional: “As condições de vegetação são próximas do potencial das espécies, desde que seja feita a condução agronômica adequada”, observa.
Na análise do pesquisador, apesar das chuvas frequentes, a safra de verão vem se desenvolvendo bem. Em alguns períodos, principalmente em novembro, o elevado número de dias consecutivos com chuvas reduziu a quantidade de insolação, com alguns casos de estiolamento das plantas devido à baixa luminosidade. Em dezembro, as chuvas vêm sendo intercaladas com períodos de sol, o que contribui para regularizar o desenvolvimento das lavouras.

Defesa civil
Considerando as previsões de que o Sul do país será atingido por tempestades e inundações, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil disponibiliza a ferramenta “Plano de contingência on line” para que as coordenadorias municipais possam mapear as áreas de atenção, cadastrar abrigos e demais recursos de que dispõem e ações operacionais a serem empreendidas.
Ao receber os alertas do Simepar, o plantão da Defesa Civil entra em estado de atenção. Dependendo da evolução do fenômeno climático, são adotados procedimentos para minimizar seus efeitos. As coordenadorias municipais são acionadas tendo como prioridade a segurança da população em situação de risco, minimizando prejuízos e protegendo vidas.
A população também deve estar preparada, mantendo-se informada sobre medidas de segurança e autoproteção em caso de tempestades com raios, inundações e ventanias. A página da Defesa Civil na Internet mantém essas informações: www.defesacivil.pr.gov.br.

Metodologia da previsão
Para realizar suas previsões, o Simepar dispõe de equipamentos e sistemas computacionais inteligentes de alto desempenho que captam, recepcionam, processam e disseminam dados e informações em tempo real. Uma rede formada por estações meteorológicas de superfície, sistemas de detecção de descargas atmosféricas, radares e satélites de alta resolução capta e transmite dados automaticamente a um centro operacional de funcionamento ininterrupto.
A tendência climática para este verão considera ainda a previsão consensual lançada pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) e Inpa (Centro Nacional de Pesquisas da Amazônia), com a participação dos centros estaduais de meteorologia. Está baseada na análise conjunta das condições oceânicas e atmosféricas e dos modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal.

El Niño
O fenômeno climático El Niño caracteriza-se pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial Oriental e Central. É configurado quando a elevação da temperatura ultrapassa a média climatológica em 0,5 grau e permanece acima desse patamar nos meses seguintes. As águas aquecidas se estendem nas proximidades da linha do Equador. Tufões e furacões só podem formar-se quando a temperatura da superfície do mar exceder 27,8 graus.
Em sua versão clássica, El Niño dura aproximadamente 12 meses. O aumento no calor sensível e nos fluxos de vapor d´água da superfície oceânica para a atmosfera sobre as águas quentes provoca mudanças em escalas regional e global, com impactos nas condições meteorológicas e climáticas em várias partes do mundo. No Brasil, El Niño provoca alterações nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste.

Características do verão
A expressão verão tem origem no latim vulgar veranum, que se refere a veranuns tempus. Caracteriza-se por temperaturas mais elevadas e dias mais longos na porção da Terra que fica mais próxima ao sol. É comum a ocorrência de chuvas de curta duração e forte intensidade devido à evaporação das águas provocada pelo calor. Na Região Sul do Brasil, as chuvas costumam variar entre 300 mm e 500 mm.



Comente

comentários