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Balançando entre um otimismo comedido e um pessimismo preventivo, o Litoral do Paraná já se prepara para a temporada de verão, que tradicionalmente tem início oficial nas últimas semanas de dezembro e marca o período de maior movimento nas praias de todo o Brasil.


De um lado, a expectativa é que, após um período atípico, marcado pelo isolamento social, em breve se inicie o movimento de reabertura das praias paranaenses, um retorno gradual à normalidade. A partir daí, a simbiose entre calor, férias e mar se encarregaria de atrair os turistas, que poderiam até mesmo aparecer em maior número do que em outros anos diante da ânsia de muitos em sair de casa e também devido às restrições econômicas e sanitárias, que poderiam ser impeditivo para viagens mais longas ou distantes, por exemplo.


Do outro, o temor é que as restrições impostas em face da pandemia do novo coronavírus persistam. Até hoje, por exemplo, municípios como Guaratuba e Pontal do Paraná seguem optando por interditar o acesso a calçadões, faixa de areia e a água aos finais de semana. Caso isso persista ou se repita durante o verão, as perspectivas são negativas para a economia e o turismo litorâneo na alta temporada.


Em Matinhos, município que no último feriado (Independência) já liberou as praias para a realização de atividades individuais, o secretário municipal do Turismo, Jean Carlos Freire, conta que a Prefeitura já está preparando os processos licitatórios para garantir a queima de fogos, a contratação de trio elétrico e outros investimentos para as festividades de final de ano. Em todos os contratos, no entanto, está previsto um ‘porém’.
“Todas as licitações colocamos que o município não está obrigado a empenhar, porque vai depender da Covid. Estamos em contato com a Secretaria Estadual de Saúde, até porque na alta temporada a segurança, saúde e limpeza da praia ficam a cargo do governo de Estado. Dependemos dos protocolos que a Sesa estará montando, mas ainda não estabeleceram uma linha de ação”, comenta Freire. “Vamos fazer o dever de casa, deixar tudo pronto para, se a situação estiver mais tranquila, adotar as medidas necessárias”, complementa.


Nas cidades que ainda não reabriram as praias, como Guaratuba, as incertezas são ainda maiores. Proprietária da Imóveis Castro e presidente da Associação de Corretores Imobiliários de Guaratuba (Associg), Edna Castro conta que num feriado como o Sete de Setembro costumava alugar 40 ou 50 imóveis. Neste ano, contudo, apenas um imóvel foi alugado.


“A procura existe, mas a partir do momento em que informamos que não pode ir para a praia, a pessoa não vem. A venda de imóveis não parou, até aqueceu bastante o mercado. Construção civil também não parou. Mas a questão é como vamos aproveitar a temporada, o aluguel”, comenta a corretora. “Era hora da gente alugar tudo e alugar melhor também , mas a retomada econômica que vemos acontecendo em Santa Catarina a gente não vê no Paraná. Nos preocupa bastante.”

Secretário de Turismo de Matinhos torce por retomada
Secretário do Turismo de Matinhos, Jean Carlos Freire conta que no último reveillon o município recebeu entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de turistas. Para este ano, ele acredita que seja até possível se registrar resultados melhores. Mas será necessário também um apoio maior por parte do Governo Estadual.


“Não conseguimos fechar a orla numa temporada o que demanda, talvez, um investimento maior do Estado na área da Saúde, para acomodar essas pessoas e a gente garantir a integridade dos veranistas e dos moradores. De repente criar um novo espaço, não sei… Estamos conversando”, diz o gestor, revelando ainda grande otimismo para a alta temporada, especialmente se a crise do coronavírus arrefecer e possibilitar, mesmo que de forma gradual, um retorno à normalidade.


“Todo mundo está na ânsia de chegar ao fim da pandemia, voltar à normalidade, querendo sair, aproveitar. Se mantiver o calor, sol maravilhoso, já temos praias maravilhosas, uma das melhores balneabilidades do país, pessoal daqui com vontade de trabalhar… E os veranistas, devido a essa crise e outras situações, não vão poder viajar para longe, então vai ser uma das melhores temporadas, mas desde que tudo esteja normalizado, porque do contrário fica complicado”.

‘Era a oportunidade da gente ganhar dinheiro’
Um dado curioso, trazido tanto por Jean Carlos quanto por Edna Castro, é que os municípios litorâneos, mesmo no auge das restrições para enfrentamento da pandemia, continuaram recebendo um bom fluxo de pessoas. Isso aconteceu, avaliam os dois, por conta dos proprietários de imóveis nessas cidades.
Trata-se, contudo, de um público que consome menos externamente, o que reforçaria a importância do aluguel de imóveis na alta temporada, conforme a presidente da Associação.


“Era a oportunidade da gente ganhar dinheiro, da gente ser a bola da vez, mas nos sentimos presos, limitados por questões do Poder Público. Já tem gente procurando imóveis para a temporada, mas o perigo é alugar, vir um decreto [restringindo o acesso à praia] e aí a pessoa chega aqui e faz o quê? Não temos shopping, cinema, não temos atrativos na baía de Guaratuba. Então ficamos a esperar”.