A perda de força da pandemia e a abertura das cancelas do pedágio na BR-277 devem fazer do verão 2022 a temporada da virada nas praias do Paraná. É o que preveem os setores comercial e imobiliário do Litoral, que já registraram melhorias nos negócios no feriado de Sete de Setembro, data que sempre foi o termômetro para indicar como será a temporada de praia a partir de dezembro.

 

O alívio ao bolso dos motoristas, devido à interrupção da cobrança do pedágio, está marcado para começar no dia 27 de novembro. A partir desta data a tarifa de R$ 23,30 em São José dos Pinhais simplesmente deixará de ser cobrada com o fim das atuais concessões rodoviárias no Paraná. O retorno da cobrança, com valor menor, só deve acontecer no segundo semestre de 2022.

Os sinais do mercado imobiliário também são positivos. A busca de imóveis para alugar na temporada está aquecida, segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Paraná (Creci-PR). O feriado da Independência teve aumento de 50% em relação à mesma data de 2020. Para o verão, a perspectiva é de recuperar entre 70% e 80% o volume de imóveis alugados no período pré-pandemia na temporada de 2019.

 

Para o delegado-adjunto do Creci-PR no Litoral, Wellington Fernando Ferreira, a demanda reprimida por diversão e lazer após quase dois anos das pessoas dentro de casa deve garantir bons resultados no setor imobiliário no verão, mesmo com a atual crise econômica no Brasil. “Agora que a vacinação está avançando, mais pessoas querem sair de casa, passear, se divertir. Ao ponto de o setor não crer que a má fase da economia vá pesar. Neste momento, as pessoas devem sim fazer um esforço para conseguir espairecer um pouco na praia”, avalia Ferreira.

 

Neste cenário, a liberação do pedágio é bem-vinda no setor imobiliário, avalia o delegado-adjunto do Creci-PR. “Isso vai influenciar muito na decisão de as pessoas irem para a praia. O pedágio da Serra do Mar é dos mais caros do Brasil”, afirma o representante do Creci-PR. “Ida e volta dá cerca de R$ 50 de pedágio. Esse valor equivale aproximadamente a uma diária de limpeza de um imóvel alugado”, compara Ferreira.

 

Quem também aposta na prévia do Sete de Setembro e na demanda reprimida é a Associação Comercial e Empresarial de Guaratuba (Aciag). O presidente da Aciag, Bráulio Augusto Pedrotti, brinca que após tanto tempo parado os comerciantes tiveram até dor no corpo de tanto trabalhar no feriado da Independência. “A prévia da temporada é o Sete de Setembro, que nesse ano foi muito bom para nós. Todo mundo vendeu e ficou satisfeito. Os turistas vieram para gastar e estimamos um lucro entre 30% e 40% maior do que o feriado de 2019”, aponta Pedrotti.

 

O presidente da Aciag afirma que só a perspectiva de não haver barreiras sanitárias nas estradas para impedir o acesso de turistas a Guaratuba fará diferença no comércio no verão. “O anúncio das barreiras sanitárias espantou os turistas. Inclusive de gente que tem parente morando em Guaratuba, que é uma cidade que com muita gente que se aposenta e vem morar aqui. Nem os filhos puderam visitar os pais com as barreiras sanitárias”, lembra Pedrotti.

 

Em Matinhos, a expectativa também é de que o verão de 2022 possa no mínimo chegar perto ao de 2019, antes da chegada da pandemia. O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Matinhos (Acima), Adriano Menine Ribeiro, afirma que as barreiras sanitárias tanto no acesso pelas estradas quanto na própria orla da última temporada “empurraram” os turistas paranaenses para o Litoral de Santa Catarina. “No último verão houve evasão dos nossos turistas para Santa Catarina, onde não havia nenhum impeditivo sanitário para ir às praias. Agora, temos que repatriar esses turistas”, afirma Ribeiro.

 

A prévia do Sete de Setembro também foi boa no comércio de Matinhos, onde a ocupação dos imóveis alugados chegou a 60%, segundo a Acima. Porém, ao contrário de Guaratuba, o aumento no movimento de turistas não teve tanto impacto no comércio. “No Sete de Setembro o turista desceu para Matinhos, mas não gastou. Com a inflação, o poder de compra reduziu. Então muitas famílias preferiram se alimentar em casa, com alimentos que trouxeram, do que gastar em restaurantes ou nos supermercados e açougues daqui”, compara Ribeiro. “Mas a expectativa é sim de que o cenário melhore na temporada desse ano”.

 

Por isso, avalia Ribeiro, a gratuidade do pedágio fará toda diferença na virada. “Pela primeira vez em muitos anos vai ser mais barato vir para o Litoral do Paraná do que o de Santa Catarina, onde o pedágio sempre foi muito mais barato”, argumenta o presidente da Acima.

 

Inflação e ferry-boat podem prejudicar

Apesar da perspectiva positiva, alguns fatores podem atrapalhar a retomada da economia na temporada de praia.

 

O primeiro deles é a volta das barreiras sanitárias. Apesar do avanço nos índices da pandemia com a vacinação, o risco de uma nova onda de transmissão de Covid-19 não está descartado pelas autoridades sanitárias.

 

Mas o que mais preocupa realmente é o poder de compra dos turistas e, no caso de Guaratuba, o funcionamento do ferry-boat, que passou a ter atrasos na travessia a partir de abril, quando passou a operar a nova concessionária do serviço.

 

Para incentivar o consumo, as associações comerciais de Guaratuba e Matinhos orientam os estabelecimentos a investirem em promoções. “A orientação é para que os comerciantes avaliem bem seus custos fixos e procurem criar promoções. Temos que recuperar esses consumidores após a cidade ficar meses fechada”, enfatiza Ribeiro da Acima.

 

“Estamos fazendo palestras para nossos associados e queremos incentivar também que um estabelecimento ajude o outro. Por exemplo, que o restaurante faça publicidade ou mesmo venda pacotes turísticos. Precisamos dessa cooperação porque a pandemia foi lastimável para Guaratuba”, reforça Pedrotti, da Aciag.

 

No caso de Guaratuba, há ainda preocupação de que os atrasos na travessia do ferry-boat nos últimos meses se repitam no verão, quando o fluxo de veículos é muito maior. Em julho, um dos ferry-boats chegou a ficar à deriva no mar com passageiros, o que levou a Marinha a interditar na época duas embarcações. A situação foi tão grave que a prefeitura de Guaratuba decretou Estado de Calamidade Pública, com temor de que o município ficasse isolado, sem abastecimento de produtos básicos e a possibilidade de transferência de pacientes graves para hospitais de outras cidades.

 

“Vai atrapalhar muito a temporada se o ferry-boat voltar a ter problemas. Se o turista souber que vai ter que ficar três, quatro horas parado na fila da travessia ele desiste de vir para Guaratuba, vai para outra praia”, argumenta o presidente da Acimag.

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