Postado 07/12/2015 por André Reu em Noticias
 
 

Chuvas travam o porto e ameaçam “encavalar” exportação de grãos em 2016


As chuvas atrasam o fim do plantio da soja, atrapalham a aplicação de defensivos e atravancam as exportações de grãos. O quadro preocupa o campo há dois meses e agora sobrecarrega também o sistema logístico do Paraná, apurou a Expedição Safra, em viagem pelo Sul do país.

Os carregamentos foram interrompidos 15 dias em outubro e 15 dias em novembro, conforme a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). E, nos próximos dez dias, os shiploaders do Corredor de Exportação devem continuar operando dia sim, dia não.

O Corredor exportou 10% mais nos últimos dois meses do que no mesmo período de 2014. Foram 2 milhões de toneladas de grãos. Mas a demanda por embarques também é maior e deve extrapolar o fim do ano.

Empresas de logística estão com armazéns carregados no interior do estado esperando que as operações de Paranaguá deem vazão ao milho. “Vai chegar a soja [a nova colheita começa em um mês] e ainda vamos estar com milho em janeiro e fevereiro”, afirma o gerente comercial da Seara, Mauro Sergio Rodrigues. A Seara tem três complexos de armazenagens no Paraná e um em Mato Grosso –cada um com capacidade para cerca de 100 mil toneladas –, todos carregados.

Dois terços dos 60 navios ao largo do Porto de Paranaguá aguardam embarque de grãos. A espera pode durar mais de um mês. O histórico de filas de navios às portas do Paraná abriu precedente para que cargas de grãos do Oeste do estado, por exemplo, fossem encaminhadas pelos exportadores para o Porto de Rio Grande (RS), onde essa espera dura cerca de duas semanas. E esse “cano de escape” tende a ser acionado novamente se as chuvas continuarem travando as exportações via Paranaguá, avalia o trader Christian de Almeida e Souza, da I. Riedi, de Cascavel.

“Cada vez que chove, [o carregamento] atrasa mais um dia”, afirma o superintendente da Appa, Luiz Henrique Dividino. Ele avalia que o avanço de 10% deve-se ao “conjunto de obras e intervenções [de R$ 511 milhões] que permitiram ganho substancial de produtividade”. As chuvas dos últimos dois meses causaram três vezes mais pausas que no ano passado. De janeiro a novembro, houve 1,5 dia para cada 1 dia de paralisação de 2014.

Manutenção de fim de ano deve ser feita com estrutura em operação

Para contornar o atraso provocado pelas chuvas, a administração do Porto de Paranaguá informa que não haverá pausa na virada do ano. A manutenção operacional, desta vez, deve ser feita com a estrutura portuária em funcionamento. “Vamos trabalhar para embarcar até 2 milhões de toneladas em dezembro e compensar toda a diferença até o dia 31. Se não, seguiremos a todo vapor para que até 15 de janeiro tudo esteja resolvido”, afirma o superintendente, Luiz Henrique Dividino.

Em 2015, o carregamento de grãos deve fechar perto do recorde de 2012, que foi de 16 milhões de toneladas. “Temos carga e possibilidade de embarcar. Falta parar de chover”, disse Dividino. Para o ano que vem, a previsão são 17 milhões de toneladas.

O Brasil exportou 18% mais soja e 31% mais milho neste ano, de janeiro a novembro, do que em 2014, mostram os números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Os embarques somam 53,6 milhões de 22,6 milhões de toneladas, respectivamente. Nos dois casos, o volume total do ano anterior já foi ultrapassado. Na soja, exportações marcam novo patamar recorde. No milho, em 2012, quando o país embarcou 26 milhões de toneladas, o volume exportado tinha atingido 23,5 milhões de toneladas em novembro.



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