Polícia esclarece novos fatos no caso do crime no Morro do Boi
O delegado Luiz Alberto Cartaxo Moura, que coordenou as investigações sobre o crime ocorrido no Morro do Boi, Litoral do Paraná, em janeiro deste ano, revelou que um exame de balística realizado pelo Instituto de Criminalística nesta segunda-feira (30) confirmou que a arma encontrada com Paulo Delci Unfried, 32 anos – preso no litoral paranaense na quarta-feira (24) da semana passada, acusado de assaltos a condomínios, inclusive com violência sexual – foi a mesma arma utilizada para matar o jovem Ozires Del Corso e balear Monik Pergorari de Lima no dia 31 de janeiro deste ano. De acordo com o Ministério Público, Unfried confessou na tarde desta terça-feira (30) no Fórum da Comarca de Matinhos que foi ele quem atirou nos dois jovens.
“O suposto novo autor foi ouvido pelas promotoras nesta tarde e o Ministério Público verificou várias contradições sobre o crime em seu depoimento que devem ser melhor apuradas. A arma já ficou provado que é esta encontrada com Unfried, mas é o conjunto probatório que poderá concluir o caso a partir de agora.”, disse o delegado Luiz Alberto Cartaxo Moura, que é chefe da Divisão Policial do Interior e presidiu o inquérito.
Cartaxo explicou que a partir de agora, é o Poder Judiciário quem vai determinar o que deve ser feito. “Realizaremos as diligências de acordo com o que o Poder Judiciário nos solicitar”, disse Cartaxo.
Inquérito – No dia 25 de fevereiro, a polícia Polícia Civil concluiu e entregou à Justiça o inquérito que relatou a investigação do crime no Morro do Boi, ocorrido em Caiobá, no dia 31 de janeiro. Juarez Ferreira Pinto, 42 anos, o principal suspeito de ter matado o jovem de 22 anos e atirado na namorada dele, foi indiciado por homicídio, latrocínio tentado e atentado violento ao pudor. No dia 2 de março, a promotora de Matinhos, Carolina Dias Aidar de Oliveira o Ministério Público também ofereceu denúncia contra Juarez Ferreira Pinto. Ele já havia sido peso no dia 17 de fevereiro, no balneário Santa Terezinha, em Pontal do Paraná.
Primeiro suspeito – Durante as investigações da polícia no início do ano, uma nova testemunha e uma prova adulterada em favor de Juarez deram certeza à polícia de que ele era realmente o autor dos crimes. Pouco antes da conclusão do inquérito no final de fevereiro, foi ouvida a esposa de um bombeiro que estava na praia na manhã em que a menina foi resgatada e disse ter reconhecido Juarez em meio às pessoas que acompanhavam o resgate.
Mais uma situação que a polícia atribui ter sido conclusiva para o inquérito foi o álibi apresentado por uma colega de trabalho de Juarez. “Ela apresentou um caderno de registro onde consta o pagamento de um vale para o Juarez, entregue no dia 31. Ou seja, ele só poderia receber este vale se estivesse trabalhando. Porém, analisando melhor o documento, verificamos que o caderno está visivelmente adulterado nas datas desde o dia 30 de janeiro até o dia 13 de fevereiro. Estas alterações fizeram com que o dia 2 de fevereiro fosse datado no dia 31”. Além destes fatos, Monik reconheceu Juarez como sendo o autor dos crimes.
RECONHECIMENTO – Na noite do dia 19 de fevereiro, Juarez foi levado até o hospital onde a jovem que sobreviveu estava internada e ela o reconheceu e o acusou como sendo o responsável pelo crime. Antes disso, ela já havia reconhecido o homem por fotos e gravações de vídeo feitas pela Polícia Civil.
Segundo Cartaxo, o reconhecimento foi feito de acordo com as regras específicas para este tipo de procedimento. “Ele esteve diante dela em situações diferentes, com pessoas diferentes em ordens alternadas e em todas as ocasiões foi apontado como o autor, sem sombra de dúvida”, contou.
Via AENoticias
Update:
Cinco meses depois do crime do Morro do Boi, ocorrido em 31 de janeiro, em Matinhos, no Litoral do estado, o caso teve uma reviravolta nesta terça-feira (30). Paulo Delci Unfried, preso na semana passada, confessou ter matado o estudante Osíris Del Corso e baleado Monik Pegorari Lima. O principal suspeito, até então, era Juarez Ferreira Pinto, preso em 17 de fevereiro e reconhecido por Monik. Ele sempre negou a autoria do crime. Os advogados de Juarez devem entrar com um pedido de indenização contra o Estado.
Em entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (30), o delegado Luiz Alberto Cartaxo de Moura, responsável pelas investigações, negou que tenha havia erro por parte da polícia. “Nem eu, nem a polícia admitimos erro. Se isso aconteceu foi uma conjuntura probatória, pois existiam provas fortes e o reconhecimento da vítima”, afirmou o delegado.
Cartaxo disse que as provas existentes até então eram suficientes para a conclusão do inquérito. “Não foram puladas etapas da investigação. A polícia não trabalha para produzir informações e sim pela verdade”, disse o delegado, ao ser questionado se a comoção pública sobre o caso gerou alguma pressão para que alguém fosse preso. “Não mudaria nada do que fiz até agora nesse caso e faria tudo de novo. Não mudei de opinião”, afirmou.
Novos rumos
Paulo Delci Unfried foi preso depois de invadir uma casa e violentar uma mulher, no balneário de Betaras, em Matinhos, na noite de quarta-feira (24). Com ele foram encontradas duas armas, um revólver calibre 38 e uma garrucha calibre 22. A polícia realizou um exame de balística e comprovou que o tiro que matou o estudante partiu da arma apreendida com Unfried. O delegado Cartaxo afirmou que a arma foi comprada legalmente em Cascavel(Oeste) e depois passou pela mão de três pessoas. Nenhuma delas era Juarez Ferreira Pinto.
Mesmo com a comprovação de que o tiro que matou o estudante saiu da arma de Unfried, de acordo com o delegado Cartaxo ainda não é possível afirmar que ele é o autor do crime. “Falta o Judiciário se pronunciar se Paulo é o autor”, afirmou o delegado.
Segundo informações do Ministério Público do Paraná (MP-PR), Unifried teria tentado suicídio por enforcamento dentro da cadeia pública de Matinhos e após ser socorrido, já de volta à Delegacia de Polícia, confessou a autoria do crime.
Depois de serem informadas da tentativa de suicídio, as promotoras de Justiça Carolina Dias Aidar e Fernanda Maria Motta Ribas interrogaram o detido. No depoimento, segundo as promtoras, o novo suspeito teria caído em contradição diversas vezes ao descrever o crime. Para o esclarecimento do caso, as promotoras pediram que seja realizada a reconstituição do crime segundo a versão de Unfried.
“A polícia vai fazer as diligências pedidas pelo Ministério Público, inclusive uma nova reconstituição dos fatos no Morro do Boi para esclarecer as dúvidas”, afirmou Cartaxo, que disse não haver data prevista para essa nova reconstituição. Unfried, no entanto, alega que foi um assalto e diz que não cometeu o estupro em Monik. “Hoje a investigação não está nas mãos da polícia. É um processo na Justiça”, definiu o delegado.
Suspeitas
A prisão de Unfried levantou suspeita sobre a autoria do crime em razão da semelhança dele com o retrato falado feito com base no depoimento de Monik. Mesmo assim, na semana passada, o delegado Cartaxo afirmou que não havia semelhança. “Não existe a possibilidade de mudar esse quadro [o julgamento de Juarez pelo crime]”.
O advogado de Juarez, Nilton Ribeiro, já pediu a soltura de Juarez e espera que na quarta-feira (1º) à tarde o cliente consiga a liberdade. Os advogados que defendem Juarez vão dar uma entrevista coletiva na quarta para dizer o que vão fazer daqui para frente. “Tudo nos indica que vamos entrar com uma ação de indenização. A coletiva (entrevista do delegado Cartaxo) só reforçou o que a defesa já afirmava”, disse o advogado Mario Lucio Monteiro Filho, que acompanhou a entrevista de Cartaxo e faz parte do escritório que defende Juarez.
Dois baleados no Morro do Boi
O crime aconteceu na tarde do dia 31 de janeiro, quando a jovem Monik Pegorari de Lima e o namorado dela, Osíris Del Corso, estavam em uma trilha no Morro do Boi e tentavam chegar à Praia dos Amores. No caminho, os dois foram baleados. A moça contou aos bombeiros que, chegando à gruta da praia, por volta das 17h30, o agressor tentou abusar sexualmente dela.
Na tentativa de defendê-la, o namorado levou um tiro no peito e morreu. A moça foi atingida por um tiro nas costas e ficou caída no local, enquanto o agressor fugiu. Perto das 21 horas, segundo relatos da própria vítima aos bombeiros que a resgataram, o agressor voltou até o local do crime e cometeu abuso sexual. Os dois só foram localizados na tarde de domingo (1º). A jovem esperou por 18 horas na mata até ser resgatada.
Ainda no hospital, a jovem teria dito ter reconhecido uma camiseta amarela encontrado perto do local do crime. Nunca ficou claro a importância dessa peça para a investigação. Nesta terça, Cartaxo voltou a descartar a camiseta. Disse que ela não caberia em Paulo Delci Unfried.
A Polícia Civil divulgou o retrato falado do homem que seria o autor do crime, feito com base nas conversas de policiais com a jovem.
A prisão de Juarez
Em 17 de fevereiro, Juarez foi preso em um balneário de Pontal do Paraná, com autorização da Justiça.
Quatro dias depois da prisão do suspeito, a polícia mudou a versão para o crime. Em vez de homicídio, Juarez teria praticado um latrocínio (roubo seguido de morte). A afirmação da polícia se baseou em supostos R$ 90 que teriam desaparecido da roupa de Monik. O próprio delegado Cartaxo disse dias antes da nova versão que nada havia sido roubado. Em conversa com a reportagem da Gazeta do Povo questionado sobre essa contradição, o delegado usou palavras debaixo calão e desligou o telefone sem se despedir (escute a entrevista aqui).
Também houve um recuo na questão do suposto estupro que a jovem teria sido vítima. A Polícia Civil disse, em uma segunda versão, que houve apenas atentado violento ao pudor, quando não há conjunção carnal.
Diante dos vários questionamentos, a polícia chegou a divulgar um vídeo onde a vítima reconheceria o assassino de seu namorado.
A promotora de Justiça Carolina Dias Aidar de Oliveira concordou com o requerimento da polícia que presidiu o inquérito e pediu que a prisão temporária do acusado fosse convertida em preventiva. O caso foi denunciado formalmente no dia 3 de março, menos de um mês depois da prisão de Juarez.
Julgamento
Começou na manhã do dia 16 deste mês a audiência de instrução e julgamento de Juarez, o até então apontado como o autor do crime. A sessão, que deveria ter o depoimento de 16 pessoas, entre defesa e acusação, foi suspenso. Nem todas as testemunhas arroladas no processo puderam comparecer ao Fórum de Matinhos.
Via RPC.com.br






