Polícia conclui inquérito do crime no Morro do Boi e indicia suspeito
Video apresentado no ParanaTV 2ª Edição da RPCTV.
A Polícia Civil concluiu e entregou à Justiça nesta quarta-feira (25) o inquérito que relata a investigação do crime no Morro do Boi, ocorrido em Caiobá, no dia 31 de janeiro. Juarez Ferreira Pinto, 42 anos, o principal suspeito de ter matado o jovem de 22 anos e atirado na namorada dele, foi indiciado por homicídio, latrocínio tentado e atentado violento ao pudor. Ele está preso desde o dia 17 de fevereiro.
Uma nova testemunha e uma prova adulterada em favor de Juarez deram certeza à polícia de que ele foi realmente o autor dos crimes. Durante a coletiva realizada na tarde desta quinta-feira (26), a Polícia Civil esclareceu os passos da investigação e mostrou o vídeo que mostra a vítima durante o reconhecimento do acusado. Trabalharam na investigação policiais da Operação Verão, da Delegacia de Furtos e Roubos e do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope).
“Foi um esforço muito grande dos policiais, muitos ficaram noites sem dormir trabalhando neste caso e todas as provas encontradas indicaram Juarez como o autor”, afirmou o secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari.
Para a polícia, dois fatos novos foram conclusivos para o encerramento do inquérito. O primeiro foi uma nova testemunha. Segundo o delegado que comanda as investigações, Luiz Alberto Cartaxo Moura, nesta segunda-feira (23) foi ouvida a esposa de um bombeiro que estava na praia na manhã em que a menina foi resgatada. Ela e o marido estavam de férias, mas mesmo assim foram acompanhar a movimentação do Siate. “Enquanto ele conversava com os bombeiros, um cidadão se aproximou dela e, sem saber do que se tratava, perguntou se a moça tinha morrido”, relatou Cartaxo. Além desta testemunha, mais dois seguranças que assistiram ao resgate, segundo Cartaxo, também afirmaram ter visto Juarez na praia.
Mais uma situação que a polícia atribui ser conclusiva para o inquérito foi o álibi apresentado por uma colega de trabalho de Juarez. “Ela apresentou um caderno de registro onde consta o pagamento de um vale para o Juarez, entregue no dia 31. Ou seja, ele só poderia receber este vale se estivesse trabalhando. Porém, analisando melhor o documento, verificamos que o caderno está visivelmente adulterado nas datas desde o dia 30 de janeiro até o dia 13 de fevereiro. Estas alterações fizeram com que o dia 2 de fevereiro fosse datado no dia 31”.
De acordo com a polícia, a funcionária que apresentou o caderno ainda pode responder por falso testemunho e uso de documento falso. “Se restava alguma dúvida sobre a possibilidade de Juarez não ser o autor do crime, foi completamente eliminada pela medíocre tentativa de desvirtuar a verdade com a utilização de um álibi fundamentado em uma grotesca falsificação. Não há mais dúvidas de que Juarez é o autor do crime e deverá ser punido por isto”, concluiu Cartaxo.
Para o delegado-geral da Polícia Civil, Jorge Azôr Pinto, o trabalho foi concluído com sucesso. “Desde o primeiro momento que tomamos o contato com o fato, tivemos o cuidado para que todos os integrantes responsáveis pela investigação se dedicassem ao caso. Agora concluímos a nossa tarefa, tanto é que o inquérito já está com a promotoria, que inclusive deverá oferecer denúncia”, disse o delegado Jorge Azor Pinto.
Pelos crimes de homicídio, latrocínio tentado e atentado violento ao pudor, Juarez pode pegar até 50 anos de reclusão. O acusado já ficou preso entre os anos de 2005 e 2007 por tráfico de drogas.
SEXO – Segundo o delegado Cartaxo, a jovem não chegou a ser estuprada, mas foi molestada sexualmente. “Quando voltou ao local do crime, ele teria arrancado a roupa íntima da vítima e teria tocado em seu corpo, molestando a jovem”, disse. Ainda segundo o delegado, em seu depoimento à polícia a jovem não declarou ter sido estuprada. “Ela alegou que ele a teria molestado, tocando em partes íntimas mas ela não chegou a ser estuprada. Por isso ele deve responder por atentado violento ao pudor que é a mesma pena prevista para o que o crime de estupro”, contou.
De acordo com a polícia, a jovem disse que teriam sido levados cerca de R$ 90,00 de seu bolso. “Ela em um primeiro momento não lembrava que tinha este dinheiro no bolso, mas depois nos informou”, afirmou Cartaxo.
RECONHECIMENTO – Na noite do dia 19 de fevereiro, Juarez foi levado até o hospital onde a jovem que sobreviveu estava internada e, definitivamente, ela o reconheceu e o acusou como responsável pelo crime. Antes disso, ela já havia reconhecido o homem por fotos e gravações de vídeo feitas pela Polícia Civil.
Segundo Cartaxo, o reconhecimento foi feito de acordo com as regras específicas para este tipo de procedimento. “Ele esteve diante dela em situações diferentes, com pessoas diferentes em ordens alternadas e em todas as ocasiões foi apontado como o autor, sem sombra de dúvida”, contou.
O delegado ainda afirma que todos os álibis apresentados pelo acusado foram derrubados durante as investigações. O principal, onde Juarez afirmava que estava trabalhando no horário do crime, teria sido desmentido por colegas de trabalho de Juarez que afirmaram que ele não foi visto naquele 31 de janeiro.
PRISÃO – Juarez foi preso por policiais civis por volta das 8h30 da manhã do dia 17 de fevereiro, enquanto dormia em um sobrado, no balneário Santa Terezinha, em Pontal do Paraná. Segundo Cartaxo, a polícia chegou até o suspeito por meio de informações sigilosas. “Assim que recebemos os dados, recorremos a fotos antigas de Juarez e mostramos à vítima, que reconheceu parcialmente o suspeito”, explicou o delegado.
Com o reconhecimento da jovem, a polícia intensificou as investigações em torno de Juarez e descobriu que ele reside em Curitiba, no bairro Uberaba, mas estava morando temporariamente no balneário de Santa Terezinha e trabalhando em um estabelecimento comercial que vende produtos na praia. No final da semana anterior à prisão, a polícia chegou a ouvi-lo na delegacia de Matinhos. Nessa ocasião, Juarez ainda foi fotografado e filmado para ser mostrado à vítima. “Ele negou qualquer participação e disse que sequer conhecia o local em que o crime foi cometido”, disse Cartaxo. As imagens realizadas foram mostradas para a vítima, que o reconheceu sem sombra de dúvidas.
DNA – O resultado do exame de DNA feito pelo Instituto de Criminalística comparando o sangue do preso com as manchas encontradas em uma camiseta deu negativo. Segundo o delegado, o resultado já era esperado, porque a vítima não havia reconhecido a camiseta como sendo a usada pelo bandido no momento do crime. “Como a camiseta tinha manchas de sangue e estava próxima ao local do crime, nós a colhemos. Na UTI a vítima reconheceu, porque já havia dito que ele usava uma camiseta pólo. Em um segundo momento, quando ela já estava fora da UTI e mais calma, mostramos uma camiseta igual à encontrada e ela, analisando melhor não reconheceu”, contou.






